13h40
Foi logo depois da escola. Almocei depressa, quase sem sentir o gosto, e subi para o quarto com o corpo já carregado de expectativa. Isabella ainda estava na aula, Matthews trancado no dele, provavelmente mergulhado em algum jogo ou tela, e os empregados se moviam pela casa como sombras discretas, ocupados com as tarefas de sempre. Meus pais trabalhavam fora. O sobrado parecia vazio, mas o silêncio era só aparente. Por dentro eu era puro tumulto: o coração batendo descompassado no peito, as costelas vibrando a cada pancada, os pensamentos todos embaralhados em uma confusão só.
Entrei no banheiro e abri o chuveiro. A água quente veio forte, quase escaldante, e eu deixei ela me envolver inteira. O jato acertou primeiro os ombros, desceu pesado pela coluna, espalhou-se pelas costas em cascatas quentes que me fizeram soltar um suspiro longo. Filetes escorriam entre os seios, contornavam a barriga, desciam pelas coxas internas em rios lentos e ardentes, aquecendo a pele até o ponto em que eu sentia cada gota como uma carícia viva. Eu fechei os olhos e me entreguei ao vapor que subia denso, enchendo o ar com cheiro de sabonete de lavanda e umidade quente. A mão direita desceu devagar, quase relutante no começo, até encontrar a intimidade já inchada, sensível, escorregadia antes mesmo do toque.
Comecei a me tocar ali mesmo, debaixo da água que batia ritmada nas costas. Os dedos deslizaram entre os lábios, pressionando o clitóris com a polpa macia, movimentos circulares lentos que faziam o prazer subir em camadas apertadas: primeiro um formigamento quente na barriga, depois uma contração profunda nos músculos internos, um pulsar insistente que se espalhava pelas coxas, subia pela nuca e fazia os mamilos endurecerem contra o ar úmido. A respiração ficou curta, entrecortada, o ar quente enchendo os pulmões enquanto eu imaginava a cena que viria: Rodrigo me tocando com aquela paciência carinhosa dele, os dedos dele explorando devagar, a boca quente no meu pescoço, o peso do corpo dele se aproximando. E Diego ali, encostado na parede, olhos escuros cravados em mim, a respiração pesada, o pau duro na mão, assistindo cada tremor, cada gemido, sem poder tocar.
A ideia me incendiava. O calor entre as pernas virou fogo líquido, a carne pulsando contra os meus próprios dedos, molhada de um jeito que escorria pelas coxas misturado à água do chuveiro. Um nó apertava o estômago ao mesmo tempo — medo cru, receio de que tudo desandasse, de que eu me arrependeria —, mas o desejo era mais forte, mais alto. Eu queria. Queria sentir um homem me penetrar pela primeira vez, me abrir devagar, me preencher inteira, perder de vez aquela virgindade que ainda carregava na cabeça como um selo simbólico, um marco. Não era só o hímen. Era me entregar de corpo e alma, olhar nos olhos de alguém e saber que ele estava ali, presente, me querendo não como brinquedo, mas como mulher inteira.
Aumentei o ritmo dos dedos sem perceber. Pressionei mais forte o clitóris, dois dedos deslizando para dentro, sentindo as paredes internas se contraírem em espasmos famintos. O prazer cresceu rápido, quase violento: uma onda que subia do fundo do ventre, apertava os músculos da barriga, fazia as pernas tremerem, os joelhos fraquejarem. Apoiei a palma esquerda na parede fria de azulejo para não cair. A água batia nas costas, quente e constante, enquanto o orgasmo explodia em contrações longas e profundas. Soltei um gemido rouco que ecoou no box, o corpo inteiro convulsionando, os músculos internos apertando os meus dedos como se quisessem segurar o prazer para sempre.
Gozei forte.
E fiquei ali alguns segundos, ofegante, o coração martelando nas têmporas, as coxas molhadas de água e de mim mesma, a pele arrepiada apesar do calor. Saí do chuveiro com as pernas ainda moles, o corpo leve e ao mesmo tempo carregado de uma eletricidade que não ia embora. Sabia que, se tudo acontecesse como combinado, aquela tarde seria o fim de uma espera longa e o começo de algo que eu ainda não conseguia nomear. Mas o desejo já queimava baixo, insistente, me dizendo que eu estava pronta. Mais do que pronta.
Mas não daquele jeito qualquer. No fundo eu ainda sonhava que fazer “aquilo” só faria sentido com alguém que me amasse de verdade.
Na prática, eu já não era mais virgem havia tempos. Tinha feito oral com prazer, sentindo o pau pulsar na boca, o gosto salgado na língua. Tinha feito anal, sentindo a pressão lenta virar prazer intenso. Só faltava a penetração vaginal. Aquilo que chamam de perder a virgindade, como se fosse um selo ou um rito de passagem.
Para mim nunca foi só sobre o hímen. Era sobre me entregar inteira, de corpo e alma. Olhar nos olhos de alguém e ver que ele estava ali, presente, querendo a Rafaella completa, não só o corpo.
E por mais louco que pareça, eu ainda sonhava que esse alguém fosse o Diego. Mesmo ele sendo egoísta, bruto, cafajeste. Mesmo me usando sem demonstrar nada além de tesão cru. Eu fantasiava que um dia ele me olharia de verdade, me tocaria com carinho misturado ao desejo, me possuísse como mulher, nem que fosse só por uma tarde.
Saí do banho com o corpo ainda quente, pernas moles. Vesti só uma calcinha fio dental preta, das minhas preferidas — o tecido fino marcando a pele, roçando de leve a cada passo.
Meu coração já martelava forte no peito quando parei na frente do espelho do quarto. Olhei meu reflexo: só de calcinha preta, a renda fina colada na pele quente, os mamilos já duros marcando o ar fresco do quarto. Respirei fundo, sentindo o ar entrar pesado nos pulmões.
— Tô pronta — sussurrei pra mim mesma, a voz saindo rouca, quase tremendo de expectativa.
Peguei o celular com os dedos ligeiramente úmidos de suor. Liguei pro Diego. Quando ele atendeu, minha voz saiu baixa, carregada:
— Pode vir. Já tô aqui no quarto. Entra direto.
A espera até ele chegar durou segundos, mas pareceu uma eternidade. Meu ventre já pulsava, um calor lento e insistente se espalhando pelas coxas, fazendo a calcinha grudar mais nos lábios inchados.
A porta abriu. Ele parou na entrada. O olhar dele caiu sobre mim como uma mão invisível. Passeou devagar pelos meus seios, desceu pela barriga, parou na renda minúscula que mal cobria nada. Senti o ar ficar mais denso. Meu clitóris latejou forte só com aquele olhar. Era como se ele me tocasse sem encostar.
— Caralho… você tá me provocando, né? — a voz dele saiu rouca, um rosnado baixo que reverberou no meu peito.
Ele fechou a porta com força. O barulho ecoou. Veio pra cima rápido, mãos ansiosas, corpo grande invadindo meu espaço. O cheiro dele — suor, perfume forte e um tesão puro — me envolveu. Quando ele tentou me agarrar, empurrei o peito dele com as duas mãos abertas. Senti os músculos duros sob minhas palmas, o coração dele batendo quase tão rápido quanto o meu.
— Nem vem, Diego. Segura a onda. O Rodrigo já tá chegando.
Ele parou. Deu uma risada curta, debochada, mas recuou um passo. E ficou me encarando. Aquele olhar de predador: olhos semicerrados, boca entreaberta, como se estivesse decidindo por onde começar a me comer. Ele sequer piscava. Eu sentia ele me devorando cada centímetro da minha pele exposta com os olhos. E aquilo… aquilo me incendiou por dentro.
Senti um arrepio subir da nuca até a base da coluna. Meus mamilos endureceram ainda mais, quase doendo de tão sensíveis. Um calor líquido desceu devagar entre minhas pernas, encharcando a calcinha de vez. Eu adorava aquilo. Adorava ser o alvo daquele desejo bruto, ser comida só com o olhar dele. Meu corpo reagia sozinho: respiração acelerada, coxas se apertando instintivamente, buscando atrito que não vinha.
O celular vibrou na cômoda. Mensagem do Rodrigo:
“Tô no portão”.
Respondi com um emoji sorrindo, mas meus olhos não saíam do Diego. Olhei pra ele uma última vez, sentindo o tesão pulsar mais forte só de saber que ele ia ficar ali, escondido, ouvindo tudo.
— Vai pro banheiro da suíte. Ele não pode saber que você tá aqui.
Ele me deu aquele sorrisinho sacana de canto de boca. Obedeceu. Mas antes de entrar no banheiro, virou e me olhou de novo — devagar, de cima a baixo. Como se estivesse gravando cada detalhe pra usar depois. Fechei a porta atrás dele e encostei na madeira por um segundo, respirando fundo. Meu corpo inteiro formigava. Eu sabia que ele ia ouvir. Eu queria que ele ouvisse.
Abri o armário. Peguei o vestido de alcinha leve, branco, solto. O tecido roçou nos meus seios sensíveis quando vesti, fazendo os mamilos roçarem e mandarem choques diretos pro meu ventre. Desci até o portão sentindo o ar fresco bater nas coxas nuas por baixo do vestido curto.
Rodrigo estava lá, encostado no carro, sorrindo daquele jeito doce que sempre me desarmava. O olhar dele era diferente: terno, carinhoso, cheio de admiração. Contrastava tanto com o fogo bruto do Diego que meu corpo reagiu dos dois jeitos ao mesmo tempo — um calor doce no peito, um tesão molhado e urgente entre as pernas.
Subimos de mãos dadas. A palma dele era quente, firme. Antes de entrar no quarto, parei na porta, encostei ele na parede e olhei bem nos olhos dele.
— O Diego tá no banheiro. Mas finge que não sabe, tá?
Ele só assentiu. Silencioso. E aquilo me excitou ainda mais — saber que os dois estavam prestes a me dividir, e de formas tão diferentes.